quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

22.2


A estranha desavença entre eu e eu mesma. Uma confusão com respostas que eu tento dar a mim mesma. À procura do certo sem saber realmente quem ele é. A busca por mim mesma. Estes poderiam ser nomes de biografias feitas por mim, seriam best-sellers com certeza, em algum hospital psiquiátrico qualquer.


renata m. borges

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

férias, mas não de caio.


“Sonhei que você sonhava comigo. Parece simples, mas me deixa inquieto. Cá entre nós, é um tanto atrevido supor a mim mesmo capaz de atravessar — mentalmente, dormindo ou acordado — todo esse espaço que nos separa e, de alguma forma que não compreendo, penetrar nessa região onde acontecem os seus sonhos para criar alguma situação onde, no fundo da sua mente, eu passasse a ter alguma espécie de existência. Não, não me atrevo. Então fico ainda mais confuso, porque também não sei se tudo isso não teria sido nem sonho, nem imaginação ou delírio, mas outra viagem chamada desejo.”

Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

medo


"Medo de se apaixonar. Você tem medo de se apaixonar. Medo de sofrer o que não está acostumada. Medo de se conhecer e esquecer outra vez. Medo de sacrificar a amizade. Medo de perder a vontade de trabalhar, de aguardar que alguma coisa mude de repente, de alterar o trajeto para apressar encontros. Medo se o telefone toca, se o telefone não toca. Medo da curiosidade, de ouvir o nome dele em qualquer conversa. Medo de inventar desculpa para se ver livre do medo. Medo de se sentir observada em excesso, de descobrir que a nudez ainda é pouca perto de um olhar insistente.
Não suportar ser olhada com esmero e devoção. Nem os anjos, nem Deus agüentam uma reza por mais de duas horas. Medo de ser engolida como se fosse líquido, de ser beijada como se fosse líquen, de ser tragada como se fosse leve. Você tem medo de se apaixonar por si mesma logo agora que tinha desistido de sua vida. Medo de se roubar para dar a ele, de ser roubada e pedir de volta. Medo de que ele seja um canalha, medo de que seja um poeta, medo de que seja amoroso, medo de que seja um pilantra, incerta do que realmente quer, talvez todos em um único homem, todos um pouco por dia. Medo do imprevisível que foi planejado. Medo de que ele morda os lábios e prove o seu sangue. Você tem medo de oferecer o lado mais fraco do corpo. Medo de que ele seja o homem certo na hora errada, a hora certa para o homem errado. Medo de se ultrapassar e se esperar por anos, até que você antes disso e você depois disso possam se coincidir novamente. Medo de largar o tédio, afinal você e o tédio enfim se entendiam. Medo de que ele seja melhor do que suas respostas, pior do que as suas dúvidas. Medo de que ele não seja vulgar para escorraçar mas deliciosamente rude para chamar, que ele se vire para não dormir, que ele se acorde ao escutar sua voz. Medo de ser sugada como se fosse pólen, soprada como se fosse brasa, recolhida como se fosse paz. Medo de ser destruída, aniquilada, devastada e não reclamar da beleza das ruínas. Medo de ser antecipada e ficar sem ter o que dizer. Medo de não ser interessante o suficiente para prender sua atenção. Medo da independência dele, de sua algazarra, de sua facilidade em fazer amigas. Medo de que ele não precise de você. Medo de ser uma brincadeira dele quando fala sério ou que banque o sério quando faz uma brincadeira. Medo do cheiro dos travesseiros. Medo do cheiro das roupas. Medo do cheiro nos cabelos. Medo de não respirar sem recuar. Medo de que o medo de entrar no medo seja maior do que o medo de sair do medo. Medo de não ser convincente na cama, persuasiva no silêncio, carente no fôlego. Medo de que a alegria seja apreensão, de que o contentamento seja ansiedade. Medo de não soltar as pernas das pernas dele. Medo de convidá-lo a entrar, medo de deixá-lo ir. Medo da vergonha que vem junto da sinceridade. Medo da perfeição que não interessa. Medo de machucar, ferir, agredir para não ser machucada, ferida, agredida. Medo de estragar a felicidade por não merecê-la. Medo de não mastigar a felicidade por respeito. Medo de passar pela felicidade sem reconhecê-la. Medo do cansaço de parecer inteligente quando não há o que opinar. Medo de interromper o que recém iniciou, de começar o que terminou. Medo do aniversário sem ele por perto, dos bares e das baladas sem ele por perto, do convívio sem alguém para se mostrar. Medo de enlouquecer sozinha. Não há nada mais triste do que enlouquecer sozinha. Você tem medo de já estar apaixonada."


Fabricio Carpinejar

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

segunda-feira


A tua diversão é escrever pra dizer que acabou de chegar, que passou por aqui e nao quis me chamar. Eu bebi saudade a semana inteira pra domingo você me dizer que não sabe o que quer e não quer mais saber.
Quando eu te peço um pouco é porque eu quero tudo que pode me dar.
Quando eu te peço pra esquecer é porque eu quero te fazer lembrar de tudo que passou.
Quando eu te digo que eu não penso é porque eu não paro de pensar.
Quando eu tento me esconder é porque eu só quero te mostrar o que eu ainda sou.
Deixei um monte de bilhetes na tua casa, o acaso me deixou tão só talvez eu ache algo mais forte que faça eu me sentir melhor. Depois do que eu já andei, depois do que eu tenho que andar, quem sabe outro dia eu te encontre em outro lugar.


(Rodrigo Tavares)

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010


Eu sou uma eterna apaixonada por palavras. Música. E pessoas inteiras. Não me importa seu sobrenome, onde você nasceu, quanto carrega no bolso. Pessoas vazias são chatas e me dão sono. Gosto de quem mete a cara, arrisca o verso, desafia a vida...Eu sou criança. E vou crescer assim.


Fernanda Mello

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

eu, meu travesseiro e meu celular escrevemos...



Sou uma tremenda IMBECIL. Persisto em achar que as pessoas são exatamante como eu penso, que elas querem para mim o mesmo que eu quero para elas. Do jeito que estou errada vou acabar descobrindo que meus inimigos me amam. Que a minha amiga que eu tanto gosto anda comigo quando eu estou mulambenta apenas para se sentir linda. Que todos que eu admiro só querem crescer passando por cima de mim. É isso aí, crise existencial é pior que sentimental. É melhor (ou menos pior) chorar por alguém que errou com você do que chorar porque não aceitas ser tão IGNORANTE, tão devota de coelho da páscoa. Não existe esse mundo. Estas pessoas que são idealizadas por mim, quase perfeitas, estão em qualquer lugar do umbigo delas mas não no meu cotidiano. Não sei até quando vou ser essa boboca suicida que quer a mudança mas não faz nada para isso. Pois é crise existencial é uma merda... literalmente.

(Desculpem as gírias, palavrão e até erros de português, mas não quis revisar para não me arrepender disso tudo)

renata m. borges

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

não quero ser injusta nem nada apenas me ferem muito esses teus silêncios. (cfa)


Ouvir falarem de ti faz minha cabeça "trabalhar" mais do que sempre. Esqueço que estou com outras pessoas e me levo para o teu mundo, me arrasto até ele na verdade. Eu sei, minha insegurança me diz que contigo não acontece o mesmo quando falam em mim. Teu silêncio fala por ti. Minha mente não tem DESCANSO nem enquanto eu durmo, lá está você, nos meus sonhos. E minha insegurança me acompanha neles também, me mostra o teu lado indiferente e egoísta. Este lado, infinitamente, eu não conheço. Nem quero. Só queria saber o que aconteceu com o NÓS, o que me deixou desse jeito tão apaixonada, tonta e... insegura.


renata m. borges

Ou me quer e vem, ou não me quer e não vem. Mas que me diga logo pra que eu possa desocupar o coração. Avisei que não dou mais nenhum sinal de vida. E não darei. Não é mais possível. Não vou me alimentar de ilusões. Prefiro reconhecer com o máximo de tranquilidade possível que estou só do que ficar a mercê de visitas adiadas, encontros transferidos. No plano REAL: que história é essa? No que depende de mim, estou disposto & aberto. Perguntei a ele como se sentia. Que me dissesse. Que eu tomaria o silêncio como um não e ficaria também em silêncio. Acho que fiz bem.


caio, caio, caio!

Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu.


cfa

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010


Eu sou uma eterna apaixonada por palavras. Música. E pessoas inteiras. Não me importa seu sobrenome, onde você nasceu, quanto carrega no bolso. Pessoas vazias são chatas e me dão sono. Gosto de quem mete a cara, arrisca o verso, desafia a vida...Eu sou criança. E vou crescer assim.


Fernanda Mello